
Noivo da Morte
Vem dama nefasta, vem...
Que estou preso na teia da solidão –
Esta grande viúva-negra necrófaga
Faminta por uma vida, que nada de bom tem.
Vem dançando, a sombria bailarina;
Trazendo a noite consigo;
Feito vampira, sugando vida do que é vivo;
Vem Morte, -noiva dessa infeliz alma em ruína.
Mãe e amante dos filhos do abandono,
Marcha para comigo celar matrimônio profano;
Onde crianças mortas são as damas de honra
E do seu véu de mortalha saltam espectros do sono.
A foice numa mão, erguida...
Um buquê de fúnebres rosas na outra
Exalando um odor defunto...
Vem, eu aceito a não-vida!
Para testemunho, do céu descem seres divinos,
Das fendas obscuras
Brotam as crias profanas,
Como brotam ervas venenosas de espinhos finos.
Anuncia-se a aurora...
Ela arrancou minh’alma!
Quanto as cinzas que restarão...
Ninguém saberá que foi um homem em outrora.
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Há 7 anos






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