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Um Pouco de Mim

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Sou uma pessoa quieta, porém cultuo o bem. Degustador da música, literatura,enfim; a arte em suas variadas faces. Como toda pessoa possuo meus aliados e antagonistas,impossíveis amores pelo qual sofro, decepções e acertos na vida. Afinal, como já me disseram: "Não importa a rapidez com que se aprende e sim o caminho que se pecorre para aprender." Sou errado as vezes. Tenho vícios, defeitos... e quem não tem, quando se é uma fera chamada HOMEM? E mesmo fera. Eu! Vocês!Quem de nós não carrega dentro do peito um SONHADOR?

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SERVATIS A PERICULUM... SERVATIS A MALIFICUM...


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Memórias de um Punhado de Cinzas

Ah! Quando eu era uma caveira
E os ossos cantavam o desmoronamento...
Na cova fria e hospedeira
Ouvia no mundo tudo quanto era tormento.
Olhava pra mim em ruína,
Meu caixão, casa minha, a terra comeu!
Tomou-me como se toma de um sovina,
Meu tutano bebeu!

Quando era organismo decomposto,
Fábrica dos invertebrados necrófagos,
Apodrecendo também estava o mundo! Desgosto...
Marchavam homens de corpos vagos.
Passeavam os operários por toda a derme morta;
Nem em vida fui assim tão amado!
Amor não mais importa.
Nasci para devorar. No fim... Fui devorado!

Tão belo foi o meu enterro...
O céu chorava!
Era de todos os prantos, o mais tenro;
Só o céu era verdadeiro. Só ele pesava.
Deram-me rosas. Pra quê?!
Se em espinhos minh’alma pisou até o Calvário!
Se a terra tomou pra si o fúnebre buquê!
Minh’alma se perdia da luz... O chão ceiava o meu rosário...

Vermes, eu era vivo! Gente!
Gente que o amor escravizou,
Que o mundo cuspiu e tornou descrente,
Que igual a vós rastejou!
E hoje! Nem carne, nem ossos...
Sou farelo do que um dia foi existência,
Dores, gritos e fracassos - Destroços!
Obrigado Morte! Não mais ser era a minha clemência.

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Convite Real de Amor à Teus Olhos Meus

Tantos temores tentamos tirar destes céfalos
Transbordando de terrores traumáticos! E tão
Tristes somos, tudo a nós é turvo, tétrico, tenso...
E trágico!
E tórrido!
Tenha-me!
Torne-me!
Tento te ter!
Traz o cetro,
Tenho castelo.
Ao pé do trono
O antigo tumor,
Enquanto na taça
Se beberá novo amor.

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Apelo

Difícil é segurar essa verdade
E te ver perto, bem perto
E não poder rasgar-me, sangrar-me de amor pra ti.
É errado, é insano?!
Então me diga!
Eu te faço mal?
Me diga!
Eu te faço bem?
Só não me deixe mais suplicar em silêncio.
Eu busquei no veneno a cura pra esse mal
E ele me fez teu antídoto.
Eu busquei nas preces uma saída,
Foi quando minha Santa virou teu semblante.
Exorcismo... foi como um exorcismo
Engajar a boemia em meu sangue
Para expulsar de vez esse Eu amante.
Eu regurgitei Belial...
Eu regurgitei Asmodeus...
Eu regurgitei Mephisto...
Eu regurgitei todo um inferno
Que retornou mais forte em meus sonhos.
Mas por favor, me diga!
Eu te faço mal?
Me diga!
Eu te faço bem?
Só não me deixe mais suplicar em silêncio...
Por esse amor.

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Réquiem na Tempestade

E neste réquiem venho chorar
Pela vida que o mar toma sem se importar
Com os que esperam por trás da tempestade.
E vai-se a naufragar
A não mais criança da terra,
Espírito do mar.
Deixa! Deixa voltar!
Traz de volta perverso mar!
Ondas explodem arredias como resposta,
Ruge o vento gélido que não.
Sinto você escorrendo pelas mãos...
Meu réquiem se cala.
A ópera da tempestade é aguda demais,
Como o afiado frio dessas horas finais.

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À Ti

Pra quê ainda chorarmos o impossível?
Se sou o fogo e você o carvão.
Ou mesmo implorarmos uma única mão
Que nos tire da beira desse abismo de misérias?
Por que não paramos de chorar pelo que nunca virá?
Por que não percebemos que existimos para nós?
A primavera insiste em chegar,
Acabando com toda frialdade do não.
Vamos acolhe-la!
Aceite-me! O sol que esperas não virá...
Sabendo de ti vi meu reflexo...
Vi a mesma cara que se faz para esconder que tudo...
Realmente tudo corre bem.
Vamos parar de sofrer,
Quem sabe somos a cura que ambos tanto esperavam...
E se mesmo assim não for a cura que esperas...
Que sejas meu ombro amigo,
Para que eu chore o amor...
Que conseguiria matar passando a amar você.

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O Verme e a Borboleta

Eu posso ser a desordem
E você a flor do jardim azul,
Que anuncia primavera ao sopro do vento sul
Enquanto lágrimas de mim escorrem.

Não culpe meus pecados
Pois nasci filho do chão. Operário do fim.
Não zombe de mim!
O tutano é meu néctar. Meus bocados.

Ei, olha-te fundo na alma!
Rastejas-te na terra, foste um feio casulo, estás salva?!
Sempre feia e iludida... Que penitência.

Três semanas... Aproveite sua beleza!
Voe, voe... Cante sua pureza!
O dia vai cair e levar consigo tua existência.

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Sussurros

Vozes, veladas vozes,
Sussurram-me ferozes;
Palavras repressivas
Aos escárnios algozes.

Vozes apressadas e cansadas,
Contam-me as palavras malvadas;
Proferidas à meu nome
Por pessoas amaldiçoadas.

Vozes, amigas vozes,
Alertam-me falsidades atrozes;
Julgamentos ignóbeis
Como veneno em altas doses.

Vozes, que devassa tramoia,
Caí nos braços da paranóia!
Meu ego sangra desconfiança,
Ninguém me apoia!

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Sobre o Adeus

Adeus...Uma saudação pra partida.
De algo que vai ... e não volta!
Será que realmente se vai?! Ouça...
Tem que estar vivo para que se exista?

E os Ninguém?!
Aqueles cuja migalha é Dádiva
Não já são mortos pela fugitiva
Importância de outrem?

Por que não Bons Sonhos?
A lembrança o tempo não apaga,
E a mente é tão cheia de vaga
Que jamais esquece os dias risonhos.

Jamais darei Adeus
Àqueles que nunca irão,
Pois basta olhar. Ali estarão!
Nos lugares seus...

Vou deixar que o silêncio fale
Melhor que esses versos chorosos,
Que são como abraços fraternos!
Mas antes que o poema se cale...

O Adeus me mostrou em sofrimento...
Não basta apenas viver...
Imortais são os que jamais cairão em esquecimento.

Que seja alívio pra teu pranto Igor.

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Lágrimas da Lua

Ó ilustre dama a chorar!
Sinto a gelidez de sua dor
Dor de quem de sofre de amor,
De quem é confinado a esperar.

Ó bela lua! Mãe de nossa idolatria!
Cala-te! Brilha pros que vagam sob teu véu,
Os que saem dos Ermos quando ascendes ao céu
Lembra das almas da noite... de mim, que jamais te esqueceria.

Tu, que és musa de tantos poemas...
A dor é mais forte! Mesmo com o frio das lágrimas serenas...
Dormem pequenas estrelas no teu negro lençol.

Pois então chova suas lástimas
Que me banharei nas suas lágrimas
De rainha que nunca amará o sol.

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Quimera

Um misto de homem
E besta-fera...
Vaga sem rumo
A pobre quimera.

Monstro tricéfalo,
De couraçadas asas;
Filha da noite,
Assombração das casas.

Falante da língua dos homens,
Mas ainda tão criatura!
Fruto da alquimia...
Berros de amargura...

Os caçadores marcham para queimar-te...
Mergulha nas trevas dos becos imundos!
Apaga as pegadas quadrúpedes!
Arrasta-te aos abissais mares profundos!

Saís-te do erro meu
Ó condenado ser!
Tão lacrimosa, tão cobaia...
Deixem-na! Deixem-na viver!

Sua dor ecoa expressa
Em hurro assombrado;
Desmoronando-me a culpa,
Antropocentrismo quase quebrado.

Ó aberração de errônea gênese
Ainda és filha minha!
Meu monstro, meu erro, meu brinquedo...
És a família que não tinha.

Aprenda as leis da noite princesa monstro
E quando um dia cair nos braços meus,
Não será o fim.
Pois na vida e morte mandarei eu.

Saulos, o alquímico.

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Martírio de uma Ilusão

Novamente incertezas...
Novamente um sorriso
Me revela esperanças.
O inverno no meu coração
Da lugar a primavera.
Mas não era... não era...
Era mais uma porta fechada.
Quanto mais olho-te fundo,
Mais ela fica selada.
Quero te levar pra voar,
Quero te ver sentir a noite,
Com o pensamento livre.
Livre da chagas emocionais.
Livre...
Eu te quero livre!
O inverno voltou no meu coração,
Só você pode trazer primavera.
O inverno o mata,
Só você pode dar-lhe vida.
Eu vivo intensamente cada ilusão sua
Mesmo que depois eu digira toda mentira crua.
Tu me escarras o silêncio,
Tu me açoitas palavras de cura.
Eu novamente me engano.
Maldita utopia (pesada cruz), que me derruba...
Me crucificas-te o amor,
Me espetasses a cabeça com coroa de espinhos
Que me beijam traição...
Sangro, e percebo que anceias
Seguir teu destino...
Antes de partir,
Venha até mim.
Perfura-me o coração
Com a lança do Não...
Torna-me o rei morto dos iludidos...
Quebra este silêncio...

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Alma Perdida

Não adianta olhar
Mais um dia que se vai.
Não voltará mais... não mais.
Choro a ida,
Desabafo em angústia
Aquela alma perdida.
Que o vento levou pra longe...
Sabendo eu que nem acharei
Ou saberei onde cairá.
Lembro-me que te segui...
Não esqueço o que me disseste:
“Ainda que eu andasse
Pelo vale da sombra da morte
Não temeria mal algum
Porque TU estás comigo.”
E eu...
Por não mais suportar
Seguir-te em peregrinação obscura,
Te apunhalei o abandono
E regressei à luz.
Eu fiz a coisa certa...?! Eu fiz...?!
Enquanto o vento
Não soprar gélido a tua desgraça,
Eu ainda esperarei o teu retorno
Alma que vaga perdida.
Vivo ou morto...eu esperarei.

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Teatro de Sombras

A insônia me domina
Na escuridão do refúgio
E a coruja canta surdina
A maldição do mau augúrio.
Ah! O amor e a tragédia...
Nosferatu... Que horror!
Ah! A comédia...
Cura para o terror.

A chama de uma vela
Faz do quarto teatro obscuro,
Minha sombra num anjo se modela
Chorando perdido no escuro.
De mãos para o alto,
Gritando suas cobiças
Tornou-se neste palco
Uma serpente de sete cabeças!

Agora me vejo em Terra Média,
Cruzadas e Inquisição...
Na fogueira vejo arder Amélia,
Conjurando última maldição.
Ah! A tragédia, a comédia e o terror
Que estão em toda parte...
Para onde eu for,
Seguir-me-ão as atrizes da sombria arte.

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Telepatia

Você sorri enquanto a alma grita...
Não há palavra que possa sanar
Ou mesmo curar essa ferida.
Escrever me faz tão inútil quanto proferir.
Eu vejo...
Você sempre carregou este fardo.
Que invade teus sonhos
Tornando-os pesadelos.
Você opta por calar-se
E tornar a dor silenciosa.
Mas eu escuto...
Eu vejo...
Eu sinto a dor da sua alma...
Até quando sofrerás em solidão?!
Você busca a cura...
Mas eu temo!
Temo que ao invés da suposta cura...
Encontres a eterna paz.
Ó Deus!
Que antes eu já a tenha encontrado...

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A Mácula da Traição

Tu, que com um beijo
Declaras minha sentença...
Tu!
Que nas escuras
Incitas-te os algozes contra mim.
Dilaceras-te meu coração!
Decaí em maléfica perdição!
A humanidade sangra de mim.
Será meu fim?!
Espada afiada é a da traição,
Que perfura até a alma.
Eu não tenho mais calma!
Grito teu nome em alta montanha
E os ecos respondem loucamente
Mate...!
Mate...!
Um relâmpago cortou o céu,
Iluminando o escuro do meu ser...
Foi quando olhei dentro de minh’alma
E vi um semblante monstro de mim
Jantando minha inocência...

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Soneto à Lembrança de um Fim

Adoro lembrar...
Do último gole de bebida,
Da última palavra proferida;
Da besta que partiu deste lar.

Do ódio, eu provei o gosto,
Lembro com asco de quem chamei de herói;
Um monstro, cujas cinzas a terra corrói.
Que belo fim lhe foi posto!

Hoje vomito pragas ao céu!
Herdar algo seu foi maldição cruel,
Mesmo que eu arda em abismo infernal.

Quando a tua alma partia...
A máscara chorava, enquanto meu ser sorria
Vitorioso com o teu final.

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Malditos Vampiros

Minha vida jaz trancada em uma masmorra...
A cada dia parte do meu sonho se esvai.
São esses vampiros... Malditos vampiros!
Eles sugam a minha essência!
Aproveitaram-se da minha fraqueza.
Manipularam meu sofrimento
E fizeram-no irradiar luz...
Sou um porco que não sabe fuçar a lama!
A lama que é minha vida.
Mas como um suíno, agradeço as coisas pequenas.
Restos dados pelo destino,
Em que sou obrigado a aceitar e sorrir.
Afundava na lama quando vi uma luz...
Dela saíram mãos que me tiraram dali,
Cravaram suas presas e me tornaram escravo.
Pulsa...
Meu cérebro pulsa quando a ordem soa como açoite.
A sanidade escorrega de mim...
Minha carne suína vai explodir!
E meu fraco coração vai parar!
Sempre estarei perto de quem amo... mas eternamente longe.
Sempre sorrindo por fora...mas chorando por dentro.
Malditos vampiros!
Sugaram-me o sentido da existência.
Malditos!

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Tua Morte, Minha Ressurreição

Assisto vossa desgraça
Com pesar! Pois nada posso fazer.
Bebendo meu coração
Espetado numa espada,
Descubro que o amor
Não tem gosto de nada...
A prisão –ruína tua
Desaba aos poucos!
E tu junto com ela.Que lástima...
Enquanto eu saboreio
Este insípido do amor,
Esvai-se de ti a vida...
Então morra!
Voe livre para o além-túmulo!
Para que de amor
Eu não mais sofra!
Para que eu volte a viver...

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Faminto Ódio

Sou uma pessoa tão tola...
Tão silenciosa para você.
Um verme que tu podes esmagar,
E cravar nele a bandeira da escória.
Esquecido no recanto escuro...
Ouço os soluços do meu próprio pranto,
Luto contra o frenesi inquieto.
Você quebrou a harpa que domava o ódio!
Despedaçar-te-ei... Enquanto clamas por piedade!
Despedaçar-te-ei... Enquanto suplicas a Deus!
Despedaçar-te-ei... Enquanto houver tua ínfima existência!
Onde eu, feito um verme...
Saciarei minha sede com vossa lágrima
E minha fome com vosso fracasso.

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Afogamento

Eu, âncora que afunda
Grito agora sem voz
Trêmulo em garganta profunda,
Peço clemência ao mar algoz.

O ar que escapa de mim
Abre portas para aflições,
Me transporta para o fim,
Não restam lamentações.

Meu coração enfraquece lento
Por não suportar o mar congelante,
Pulmões vazios e sem vento
Anunciam a morte muda e agonizante.

Maldito seja este mar trevoso!
Todo ele devasso e voraz
E após um espasmo nervoso,
Só resta o silêncio da paz...

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Cruzeiro

Ó grande cruz!
Cruz Santa que reluz!
Elevai ao céu esta prece,
Matai este amor pungente que cresce.

Cruz brilhante sobre a miséria –
Grande mancha não séria
Aos olhos dessa nobreza, tornai visível!
Tornai possível não sofrer pelo impossível.

Doi-me esta dolência!
Ruiu a ponte, caí em demência!
Lança-me cruz, a luz cálida contra a frialdade
Desse profano (amor); liberta-me da maldade.

Eu vou selar tamanha bruxaria,
Marchar com almas penitentes em fantasma Romaria;
Então matarei esse amor ceifeiro...
Verei sua sangria no alto do Cruzeiro.

Meu coração- este couro pulsante-
Bomba orgânica dessa alma amante
Avisa em pontadas meus dias que findarão,
Quando carne e espírito obliterar-se-ão.

Se este amor não morrer,
Se mais amar eu querer;
Rastejarei até sua luz...
Para que meu coração exploda ao teu pé, cruz.

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Irmão Monstro

Dentro desse orgânico que te rege
Há um pétreo coração;
Resistente as farpas do mundo.
Monstro!
Tu és um monstro!
Tu consegues provar do amor
Sem sucumbir a ele!
Tu o fazes servo,
Para senti-lo quando bem quiser!
Monstro...
Ensina-me a sangrar sentimentos!
Torna-me um reflexo teu,
Mesmo que destorcido.
Para que eu prove o gosto do sangue
Do amor que despedaças.
Esse maldito amor que sempre me escravizou!
Queria eu, um dia gritar altivo ao mundo,
Quando este lobo tenta devorar-me o sonho...
Mas não tu, Monstro de gigante ventura!
O lobo mundo a ti se curva,
Quando o brilho da sua glória engrandecida
Explode no céu como relâmpago de esperança,
Iluminando o abismo em minha mente,
Exorcizando os demônios que lá habitam,
Santificando-a com a cruz da perseverança.
Peço-te irmão monstro...
Ensina-me a amar, sem sofrer
Quando alguém matar este amor!
Tu és um monstro!
Falam os tolos ultra-românticos.
Sim...
Aqueles que cantam em versos
A beleza do amor,
O coração primaveril de uma alma apaixonada.
Desgraçado é o fim de tais criaturas!
Desgraçado será o meu fim!
Se não tornar-me um monstro como você.
Queria viver como tu vives
Monstro irmão,
Mas a apatia é uma prisão sem cadeado!
Fraco de coração e ainda criança
É aquele que ama...
Quando eu me tornar fragmento
Do monstro que todo és...
Saberei que crescí.

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Amada Aparição

Aparecendo, sumindo
Chorando, sorrindo
Ela guia meus passos e canta para mim...
Qual corrente lhe prende aqui?
Ó, amada aparição!
Sinto você quando tudo que é vivo
Padece ao meu redor.
Sua ópera fantasma oblitera a realidade.
Qual corrente lhe prende aqui?
Quem negou a ti a liberdade da pós-vida?
Tu anseias em correr pelos desertos tórridos...
Eu sei...
Olho nos teus olhos e vejo-me a tua prisão.
Atiro-me ao mais profundo abismo!
Agora não mais sou tua corrente...
Voa com o vento,
Assombra as moradias,
Amaldiçoa as terras sagradas
E convida-me para contigo reinar
Entre os seres da noite.

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O Limbo

A noite está fria e inquieta...
Espíritos errantes gritam em meus ouvidos!
Minha mente doi...
Onde está o portão para o limbo?
Ardendo em febre...
Vomitando sangue...
Nunca havia sentido o gosto do fim.
Ele é amargo e congelante!
Minha nênia solene os acalma.
É o chamado para os que jazem no limbo.
Venham...
Venham...
Venham...
Esqueçam este resto que ouso chamar de corpo,
Suguem esta fagulha ectoplásmica.
Antes que os carniceiros cães do inferno
Sintam o cheiro de morte na minha existência!
No limbo vejo as crianças pagãs...
Sem santo batismo e já roubadas pela morte,coitadinhas!
No limbo...
Onde, em meio às trevas eu me deito,
Antes de dormir...
Mãe morte cobre-me com fúnebre manto.

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Noivo da Morte

Vem dama nefasta, vem...
Que estou preso na teia da solidão –
Esta grande viúva-negra necrófaga
Faminta por uma vida, que nada de bom tem.

Vem dançando, a sombria bailarina;
Trazendo a noite consigo;
Feito vampira, sugando vida do que é vivo;
Vem Morte, -noiva dessa infeliz alma em ruína.

Mãe e amante dos filhos do abandono,
Marcha para comigo celar matrimônio profano;
Onde crianças mortas são as damas de honra
E do seu véu de mortalha saltam espectros do sono.

A foice numa mão, erguida...
Um buquê de fúnebres rosas na outra
Exalando um odor defunto...
Vem, eu aceito a não-vida!

Para testemunho, do céu descem seres divinos,
Das fendas obscuras
Brotam as crias profanas,
Como brotam ervas venenosas de espinhos finos.

Anuncia-se a aurora...
Ela arrancou minh’alma!
Quanto as cinzas que restarão...
Ninguém saberá que foi um homem em outrora.

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Vultos Vampiros

Sentimentos intranquilos...
Eu vejo vultos vampiros!
Coração quase parando, veias pulsando,
A eles, convidando para me sugar.
Nenhum vestígio irão deixar!

No escuro, olhos a minha espreita,
Rubros... Sedentos olhos de besta!
Olho assustado para os lados,
Gatos pretos miam assombrados,
Corujas em agourenta canção...
Minha sombra pode ser a danação!

Rastejando em plena noite tardia,
Escondo a ferida que já ardia,
Marcho para a quietude da Capela,
Ruína que ninguém vela.
Encurralado por risos psicóticos, eu surto!
Pois não há saída! Meu tempo de vida é curto!


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Lança

Lança que voa caçadora,
Sanguinária e predadora,
Para teu coração beijar;
Lança para te trespassar.

Lança que voa cortando o vento
Certeira no desatento,
Para teu sangue beber;
E tua vida ela ter.

Lança que bebeu do sangue dele na cruz...
Lança traiçoeira que matou Jesus!
Floresta de lanças forma-se nesta terra,
Os frutos são cabeças dos caídos na guerra.

Lança que fez do sangue seu vício,
Que matou pela fé do Santo Ofício,
Que torturou Joana antes dela jazer queimada,
Que matou crianças em uma tola Cruzada.

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Lamento de um Condenado

Denovo mataram-me a esperança...
Acho que não alcançarei a graça,
Só me resta chorar a desgraça
Dessa vida que nada alcança.

Em mim cravei a sentença,
Me condeno por atonia espiritual,
Suplico apenas pelo final,
Guilhotina à esta alma sem crença!

Sou devoto do fracasso e da auto-destruição,
Meu lar é minha eterna prisão,
Não mais tentarei viver.

Que a guilhotina então desça!
Que decepe-me a cabeça!
O fracasso(minha pena), fez-me digno de morrer.

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Aos três meses de vida da minha Querubinzinha.

Cainxinha de Música

Quando a sinfonia soa mística,
Te fazendo dormir
Os anjos logo vem para te cobrir,
Enfeitiçados pela magia acústica.

Enquanto a canção tocar;
Os pesadelos não virão,
Bichos-papões não existirão,
Enquanto a bailarina dançar.

Dorme princesa contente,
Pequeno Querubim inocente,
Luz aos corações tristonhos.

Não deixarei a música acabar,
A bailarina dança, teu sono não vai nublar
Tenhas bons sonhos...

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O Romântico, O Enigmático e a Sombra Paranoica


Amar, amar...
Ele apenas quer amar
Mesmo que sofra.
Mesmo que se sinta morto,
Com esta cruz sobre o corpo.

Já o outro... Sempre a esconder
Sob as trevas do âmago do ser-
Que é pétreo!
Verdadeiras emoções,
Gritos, lamentações.

E eu, onde tudo cheira a tramoia,
Vozes martelam-me pregos de paranoia
Quebrando de vez a mente;
Estou me perdendo!
Enlouquecendo!

Perdoem-me! Sou o fantasma da hipocrisia,
Ser amado é o que eu tanto queria!
Minto! Com um amor ainda sonho...
Muito tenho a esconder
E pouco para dizer.

Eu me vejo no seu triste cântico,
No réquiem do seu violão, ó Romântico!
Eu choro quando tu Enigmático, sorri...
Sorriso que emana um pesar.
Sou a sombra para convosco sofrer. E vagar...

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Poço Escuro

Afogando-se na dor
Da agonia asfixiante
Paredes lodosas cercam minh’alma errante
Para que jamais o sol beije-me com seu calor.

Mais uma vez aqui...
Mais uma vez o destino,
Atirou-me neste poço libertino.
-Salvem-me daqui!

Tentativas frustradas de escapar...
Rabisco em sangue, dedos dilacerados;
Pinto na parede arte dos desolados,
Nos escorregões de cada escalar.

Na superfície riem os inimigos...
Vieram escarnecer da dor de um vencido
Que quer sumir, ser esquecido!
Até os dias tornarem-se antigos.

Forçando as lembranças...
Neste escuro que me cega,
Nesta água que me afoga;
Vi que sempre fui movido a esperanças...

Anjos a sopram cálida no meu coração
E eu explodoirei ardente cortando o céu,
Da noite queimarei o negro véu
Para gritar ao mundo o brilho da minha ascensão.

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A Tua Sombra

Quero ser tua sombra, ir onde você for,
Se perder contigo na névoa que cobre a noite
Subir em alta montanha de felicidade,
Ou cair em profundo abismo de dor.

Para que teu olhar e paços
Façam-se os meus...
E quando fracassar,
Que eu sinta o gosto de tua alma ferida.

Vou assassinar sua sombra...
Tornar-se a tua...
Achas belo, o suicídio do meu eu?
A fé que tenho é toda em ti.

Quero ser tua sombra, ir onde você for,
Se perder contigo na névoa que cobre a noite
Subir em alta montanha de felicidade,
Ou cair em profundo abismo de dor.

Porque é ao teu lado,
Como tua sombra...
Que me sentirei vivo...

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Ode à Feiúra!

Saúdem os monstros!
Os seres abissais!
Caídos nas trevas,
De semblantes infernais!

Idolatrem as árvores retorcidas!
Os seus espinhos sem vida!
A cada cicatriz na face!
A putrefação da ferida!

Viva os quietos estranhos!
Silenciosos que assustam demais!
Viva o pecado que corrompe,
Todas as vidas banais!

Ergam as cruzes!
Que o diferente sempre assustará!
Cantem a feiúra,
Pois feio ele sempre será!

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A primavera chegou mais uma vez amiga Alê. E junto a ela este poema.

Tesouro do meu Jardim

És a vida na morte,
Esperança de cada nascente;
A fúria crescente,
Do fracassado que se torna forte.

És o belo em meio a feiúra,
A única primavera,
Pra quem há muito espera,
A calidez pra quem morre de friúra.

Nenhum ouro ou esmeralda,
Qualquer minério que for,
Jamais terão imensurável valor!
És a real riqueza de minh’alma.

És tu, minha fortaleza,
O remédio para as feridas;
A mão consoladora das lágrimas perdidas...
Inocente,frágil e de rubra beleza.

És a paz de minh’alma trevosa,
Que rastejava aos braços do fim.
O tesouro do meu jardim...
És tu, minha rosa...

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Meu Fim
 


Meus dias estão se esvaindo
A solidão ameaça meu existir,
Mas a moderna inquisição faz-me cair
Pelas chamas me consumindo.

Sozinho, em meio às sombras
Nado em profundo breu,
Em busca da razão do próprio eu
Neste mar de perversas ondas. 


Morrerei pela sociedade rústica...
Minh’alma estilhaçará em mil pedaços,
Rasgando o véu do além de outros espaços
Onde jaz a redenção, tesouro de minha súplica.

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