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Um Pouco de Mim

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Sou uma pessoa quieta, porém cultuo o bem. Degustador da música, literatura,enfim; a arte em suas variadas faces. Como toda pessoa possuo meus aliados e antagonistas,impossíveis amores pelo qual sofro, decepções e acertos na vida. Afinal, como já me disseram: "Não importa a rapidez com que se aprende e sim o caminho que se pecorre para aprender." Sou errado as vezes. Tenho vícios, defeitos... e quem não tem, quando se é uma fera chamada HOMEM? E mesmo fera. Eu! Vocês!Quem de nós não carrega dentro do peito um SONHADOR?

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SERVATIS A PERICULUM... SERVATIS A MALIFICUM...


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Pele

Das mais variadas cores,
Dos mais diversos traços...
Feios, belos, mas nunca perfeitos!
O triste real ingresso para sermos aceitos
A porta pra amores...
Mera porcelana que esvai-se em pedaços.

Pele que move o mundo,
Escondendo sob seus tecidos
De “Perfeição” e “Monstruosidade”
O puro, o profano, bem, mal, a verdade!
Fantasmas de um mentiroso mar profundo
De músculos forçando risos.

E lançam-se as carnes na lâmina do açougueiro!
E paira odor da mais perfeita e suculenta tez!
Cada vez mais fisgada por mundanos anzóis.
Esvai-se ar... O verdadeiro Eu dentro de nós
Peixes-iscas vendem até o pedaço derradeiro
E suas carnes ascendem à honra de reis.

As verdades dentro de si mortas
E zumbis a celebrar a antropofagia,
A desonrar a memória de suas finadas,
Enquanto as “aberrações” ao Nada confinadas
Batem nas mais ricas miseráveis portas...
Estendem a mão a fim de partilhar vossa alegria...

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Senhora

Deixai que eu seque vossas lágrimas
E depois cante para você dormir,
Permita-me cobrir-te com vossa mortalha
De fraquezas, impossíveis anseios, velha, falha!
Vou tornar vossas tristezas paralíticas. Voltarás a sorrir,
Pois sou agulha e linha de fechar feridas cármicas.

Eleve seus pensamentos ao infinito
E anule as dores de sua revolta,
Faça-me a vossa dormência,
Alívio para essa ardência
- Viver falso amor só quando ao sonho volta!
Sou o pior sacrilégio! Tudo que não é bonito!

Como um torniquete, estanco vossa sangria
Sou pura ferrugem como objeto.
Pisai-me que sou chão! Prossiga seus passos tortos
Dentro de sua própria catatonia, regendo reinos mortos,
Vendo e conversando com o quieto,
Mascarando-se de falsa alegria.

Que busques o seio religioso,
Mas que não esqueças deste velho torniquete
Cuja ferrugem engole a cada dia;
Que sumas na erma Terra arredia
Mas que não esqueças deste encardido tapete
Para que trafegues Senhora do Reino Condenoso!

Permita-me Senhora, sempre zelar pelo teu porte
De morta vencida, onde devaneios ainda pulsam
Insistindo em haver vida – grão do deserto...
Eu, teu brinquedo, vassalo, de amor me desconserto
Essa grande anomalia, cujos nervos gritam!
Servo, mas Senhor do amor, mesmo com cara de morte.

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Versos Conselheiros

Qual a cor da sua aflição?
Por que fizeste de exílio a tua morada?
Qual dolência tornas ofuscada?
Tudo está escrito nessa feição...
Não me julgue intruso na sua alma perdida,
Pois também sofria quando o mundo me escarrava,
Quando morto estava
E tu vieste soprar-me vida.

Não se curve para um mundo
Que te serve como alimento do ego alheio,
Que te ceia o devaneio,
Deixando-te no caos profundo.
Não chores o amor que nem lutas para ter!
Ele traria a paz ou mais um tormento?
Erga-se guerreiro, livre-se deste momento!
Há outras terras para vagar, segredos para saber.

Estás se ferindo irmão
Nos teus pensamentos incertos!
Cortes cada vez mais abertos,
Trago-lhe a cura, dai-me a mão.
Quero-te bem irmão, vem!
Da moderna Inquisição, vamos correr,
Em fogueira nos querem arder,
Pela nossa condição de Ninguém!

Não há mentira neste escrito
Que veio te trazer calma,
Uma luz para tua alma,
Um silêncio para teu grito!
Mas se julgares meus versos pura demência...
Como tolo que fui, calar-me-ei,
E silencioso chorarei
A tua decadência.

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Laços

A essência dos antepassados
Em nosso sangue corrente,
Renasce em nossa face, ou permite-se ausente;
Não importa se somos gente, ou restos passados.

Laços familiares se formam
Ao cairmos nos braços do mundo,
Proteção paterna, colo materno, amor profundo;
Heranças de sangue nada importam.

E tu, que nem do meu sangue és,
Amiga, irmã e mãe te fiz ao invés
Meu anjo de cura, minha ferida sara!

Antes um pedaço de vida, hoje sou todo um ser,
Dou graças ao céu por você me fortalecer,
A este laço... que nem a morte separa.

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