
Senhora
Deixai que eu seque vossas lágrimas
E depois cante para você dormir,
Permita-me cobrir-te com vossa mortalha
De fraquezas, impossíveis anseios, velha, falha!
Vou tornar vossas tristezas paralíticas. Voltarás a sorrir,
Pois sou agulha e linha de fechar feridas cármicas.
Eleve seus pensamentos ao infinito
E anule as dores de sua revolta,
Faça-me a vossa dormência,
Alívio para essa ardência
- Viver falso amor só quando ao sonho volta!
Sou o pior sacrilégio! Tudo que não é bonito!
Como um torniquete, estanco vossa sangria
Sou pura ferrugem como objeto.
Pisai-me que sou chão! Prossiga seus passos tortos
Dentro de sua própria catatonia, regendo reinos mortos,
Vendo e conversando com o quieto,
Mascarando-se de falsa alegria.
Que busques o seio religioso,
Mas que não esqueças deste velho torniquete
Cuja ferrugem engole a cada dia;
Que sumas na erma Terra arredia
Mas que não esqueças deste encardido tapete
Para que trafegues Senhora do Reino Condenoso!
Permita-me Senhora, sempre zelar pelo teu porte
De morta vencida, onde devaneios ainda pulsam
Insistindo em haver vida – grão do deserto...
Eu, teu brinquedo, vassalo, de amor me desconserto
Essa grande anomalia, cujos nervos gritam!
Servo, mas Senhor do amor, mesmo com cara de morte.
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Lembre-se que ...
Há 7 anos






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